Category: vegan lifestyle

  • 9 Presentes de Natal de última hora

     

    As minhas sugestões | Natal saudável e ecológico

    Pessoalmente, não cedo ao consumismo desenfreado que se respira nesta altura do ano. Dou poucos presentes de Natal, e aqueles que dou procuro que sejam úteis e eco friendly. 

    Para vos dar um exemplo, a minha mãe é viciada no Mix de Amor da Iswari. Vou oferecer-lhe este snack com um ligeiro twist, personalizado por mim, num frasquinho de vidro todo bonito. Um presente com utilidade, ecológico, pouco dispendioso e, o mais importante de tudo, com significado para quem o recebe (a minha mãe não lê o blog, não fiquem a pensar que lhe estraguei a surpresa).

    Para quem deixou para a última hora as compras de Natal, e se revê nesta minha filosofia, deixo aqui algumas ideias (em conta!) de presentes:

    1. Voucher presente para um workshop da A Cozinha Verde

    O voucher tem a validade de 6 meses e pode ser utilizado em qualquer workshop da A Cozinha Verde. É enviado em formato digital, sendo por isso um presente muito eco friendly (e delicioso, garanto-vos!) 

    Se preferirem, podem oferecer também um voucher para um Vegan em casa by A Cozinha Verde.

     

    2. Chocolates de Alfarroba da Casa do Bosque

    Veganos, crus, biológicos e artesanais. Disponíveis em 7 sabores diferentes (os meus preferidos são Avelã e Cânhamo e Limão). Cada chocolate vem com uma mensagem inspiradora no seu interior! Espreitem aqui os pontos de venda, ou encomendem online, através da página de Facebook.

    3. Zero desperdício na Maria Granel

    Nesta mercearia en Alvalade, os produtos são todos biológicos e a granel. Um excelente exemplo de consumo sustentável, sem embalagens. Levem os frasquinhos de casa e encham com os produtos que quiserem, nas quantidades que desejarem. Ou aproveitem as embalagens e sacos ecológicos disponíveis na loja para compor um pequeno e delicioso cabaz de Natal.

    4. Superalimentos da Iswari

    A Iswari já dispensa apresentações aqui no blog. Quem acompanha A Cozinha Verde sabe que utilizo imenso estes produtos, principalmente nos workshops de cozinha! 

    Encomendem na loja online e usufruam de 10% de desconto em qualquer compra, com o código cverde. Sugestão: Amoras brancas (na foto principal) ou o Mix de Amor (em baixo).

    5. Just Granola Bars

    Estas barrinhas energéticas, sem açúcar e crudívoras, já fizeram por diversas vezes as delícias dos participantes dos workshops da Cozinha Verde. Disponíveis em 4 sabores diferentes e com opção sem glúten. Encomendem na loja online ou espreitem aqui os pontos de venda.

    6. Granola da Trinca

    A Trinca é uma marca de granolas portuguesa e homemade, com certificação biológica.
    Se ainda não experimentaram o novo sabor – Maçã, Passas e Especiarias – não sabem o que estão a perder. É absolutamente viciante, parece que estamos a saborear um verdadeiro crumble de maçã! Estou rendida. 🙂 Encomendem na loja online um miminho para vocês mesmos. Afinal, também merecemos! Em Lisboa, encontram a Trinca em diversas lojas de produtos biológicos.

     

    7. Queijos veganos da Violife

    Os melhores queijos veganos de sempre (testados e aprovados nos workshops da Cozinha Verde) chegaram finalmente a Portugal! Encomendem na loja online da mercearia vegana Green Beans, em Cascais.

    8. Garrafa EcoTupperware – Tupper Broccoli

    Tenho duas, na cor verde. Uma de 0,5 lt, ideal para andar comigo de um lado para o outro dentro da mala, e outra de 1 lt, que fica geralmente na mesa de cabeceira do meu quarto, ou na sala, para me lembrar de ir bebendo água ao longo do dia. São práticas, leves, com um design super atraente e embora sejam de plástico, este não é nocivo. Mais, sabiam que a Tupperware tem uma campanha de recolha/reutilização dos seus produtos quando estes se estragam? 

    Vejam esta e outras ideias na página da Tupper Broccoli. A Ivete é uma querida, enviem-lhe uma mensagem para fazerem diretamente a encomenda. Ela trata de tudo com muito carinho.

    9. Sabonetes mágicos da Dr. Bronners

    Produtos cosméticos e de higiene corporal biológicos e de comércio justo. Sou fã. Uso o 18in1 – sabonete líquido com 18 utilizações diferentes – no banho do Lourenço (bastam umas gotinhas na água) e no meu banho e não quero outra coisa. Limpa, nutre e amacia a pele, sem ingredientes nocivos. Têm também loções corporais, sabonetes em barra, entre outros produtos. 

    Encontram estes produtos em várias lojas. Lojas Terra Pura, em Lisboa e Sapato Verde, em Cascais (esta última tem loja online e vende exclusivamente produtos veganos e cruelty free. Recomendo.).

    Espero que este post vos seja útil e que ainda chegue a tempo de vos inspirar para as compras natalícias de última hora! 

    Boas festas!

  • TAG – Conhecendo novos Blogs

    A Joana, do Just Natural Please, desafiou-me a participar na TAG – Conhecendo novos Blogs, uma iniciativa que tem como objetivo conhecer um pouco melhor as caras por trás dos blogs portugueses, dando resposta às perguntas que se seguem. Obrigada pelo convite Joana!

    1. O que te levou a começares este blog?
    A Cozinha Verde surgiu em Maio de 2013, poucos meses depois de me ter tornado vegan. Na altura, ainda a trabalhar como auditora financeira numa multinacional, senti o desejo de partilhar o novo mundo que estava a descobrir (e que viria a mudar a minha vida por completo), e de fazer com que o veganismo chegasse a um número maior de pessoas. Desde o início que o meu objetivo com o blog é despertar consciências para uma vida mais ética, saudável e sustentável. Como costumo dizer, é a minha forma de ativismo.

    2. Qual a origem do nome do teu blog?
    Foi o primeiro nome que me veio à cabeça naquele momento. Foi espontâneo, nada pensado e estudado, até porque naquela altura estava muito longe de saber que A Cozinha Verde viria a ser muito mais do que um hobby para mim.

    3. O que de melhor o blog tem trazido para a tua vida? Porquê?
    São muitas as coisas boas que tenho atraído para a minha vida com A Cozinha Verde. Mas destaco uma. O preenchimento que sinto todos os dias, por contribuir de alguma forma, por mais pequena que seja, para inspirar outras pessoas a adotarem uma alimentação e estilo de vida mais compassivo e saudável.

    4. Como concilias a tua vida pessoal e profissional com o Blog?
    Não tenho nenhuma linha a separar a minha vida profissional e o blog. A partir do conceito do blog criei a marca A Cozinha Verde, que mais do que o meu projeto (não gosto muito de lhe chamar negócio ou empresa), é a minha vida (profissional e também pessoal). Encaro as redes sociais como uma parte muito importante do meu trabalho, porque é lá que promovo aquilo que faço (branding). A Cozinha Verde é um projeto muito pessoal e centrado em mim (trabalho e faço a gestão deste projeto praticamente sozinha), e por este motivo é também difícil separar a minha vida pessoal da profissional. Quando posso, tento guardar um dia da semana só para mim e para a minha vida pessoal. Longe das redes sociais e do e-mail. É quase impossível desligar-me completamente, mas é também por este motivo que sei que A Cozinha Verde, mais do que o meu projeto, é o meu propósito de vida. Não há para mim nada mais gratificante do que fazer aquilo que realmente gosto.

    5. Onde encontras inspiração para os conteúdos do teu Blog?
    Geralmente, vou buscar inspiração a livros, artigos, pessoas, momentos, lugares. Por vezes, a inspiração aparece nos lugares mais inesperados. Neste momento, as publicações que faço estão mais relacionadas com o trabalho que faço diariamente (catering, encomendas, workshops, eventos, parcerias). Não me sobra muito tempo para partilhar receitas ou artigos de opinião (algo que adoro fazer!), mas comecei agora uma série de receitas vegan no canal de youtube da A Cozinha Verde para colmatar esta falha na publicação de receitas, cujo primeiro episódio foi lançado na quinta-feira passada. (podem ver aqui.)

    6. O que mais gostas de cozinhar?
    Acho que para mim, a pergunta que melhor se adequa é “com que ingredientes gostas mais de cozinhar?” Adoro criar pratos (doces ou salgados) com frutos secos. É incrível como é possível fazer tudo e mais alguma coisa com caju! Adoro cozinhar com grão (e qualquer leguminosa no geral) e com abacate (mais um ingrediente super versátil para doces e salgados). Gosto de cozinhar com cereais integrais. Gosto de todo o processo de preparação dos ingredientes até chegar ao resultado final, no prato. Em suma, adoro a cozinha.

    7. Como imaginas o teu blog daqui a 3 anos?
    Como já referi atrás, quando comecei o blog, há quase 2 anos e meio atrás, estava muito longe de saber o que seria a minha vida hoje. A Cozinha Verde nasceu de forma espontânea e foi crescendo naturalmente, nos momentos certos. Não me faltam ideias e projetos que quero concretizar. Acredito que tudo chegará no momento certo.

    8. Quais são os hábitos diários que não dispensas?
    Não sou muito de hábitos (e rotinas), até porque é algo difícil de acontecer com o trabalho que desenvolvo com A Cozinha Verde,  mas não dispenso um bom pequeno almoço logo pela manhã quando tenho tempo. Passear/caminhar com a Khaleesi (a minha princesa de quatro patas), é também um momento do meu dia que não dispenso.

    9. Quais os teus conselhos para uma vida saudável?
    Nutram o vosso corpo e a vossa mente. Como?
    * Alimentação rica em nutrientes e em alimentos verdadeiros (eliminem os ingredientes de origem animal e evitem tudo o que seja processado/embalado/refinado);
    *Exercitem o vosso corpo (uma caminhada serve, quando temos menos tempo, o que importa é não ficar parado);
    *Encham a vossa mente de pensamentos positivos e sejam gratos pelas pequenas coisas do vosso dia-a-dia.

    10. Se pudesses mudar algo no mundo, o que seria?
    Imagino um mundo sem crueldade, onde todos contribuíssemos para o bem estar de todos (pessoas e animais). Um mundo onde cuidássemos do nosso ecossistema como se da nossa casa se tratasse. Um mundo onde todos fossemos iguais.

    O objetivo agora seria nomear pelo menos 3 pessoas/blogs para responder ao desafio. Contudo, apercebi-me que aquelas que queria nomear já participaram, e por esse motivo não irei nomear ninguém. Confesso que não sou muito dada a estas coisas de correntes. Mas não podia deixar de responder a este convite. 🙂

  • O Yoga e o Veganismo ॐ

     

    A poucos dias do final do ano, não faltam artigos, inspirational quotes e imagens a correr na Internet sobre as tão conhecidas (e previsíveis) “resoluções de ano novo”. Para mim, não passam de frases feitas, na sua grande maioria. Não estou com isto a dizer que algumas delas não façam parte da minha “wish list”. Mas será que precisamos de chegar ao último dia do ano para decidirmos que queremos ser felizes, saudáveis, perder peso, mudar de trabalho, ter filhos, ou o que quer que seja que faça sentido para nós?! 

     

    Para mim, este é um processo diário e contínuo. Um caminho que podemos (e devemos) percorrer todos os dias. Se desejo mudar algo na minha vida hoje, não vou esperar que uma dúzia de passas de uva me tragam uma motivação maior para o fazer. 

     

    O texto que se segue não fala por isso de resoluções de ano novo, mas tem como objetivo inspirar-vos a irem atrás dos vossos “sonhos”, hoje. Não tendo sido escrito por mim, reflete aquilo em que acredito, sem mudar uma vírgula. A união da alimentação vegan (o meu mundo) com a prática de yoga (o mundo do Nuno) e com o veganismo (o mundo de ambos), que num futuro próximo irá resultar num projeto em conjunto que estamos HOJE a desenvolver. 

     

    Podia apresentar-vos o Nuno Filipe como professor de yoga, mas isso seria restringir um ser humano a um título ou rótulo, algo que para mim não faz qualquer sentido. Prefiro assim que o conheçam da melhor maneira possível, com aquilo que ele escreve, que traduz verdadeiramente aquilo que ele é…

     

     

     

    O Yoga e o Veganismo

    by Nuno Filipe

     

    Tentar contextualizar o vegetarianismo / veganismo com a prática de Yoga é tão complexo como a prática em si. Tentar fazê-lo de forma a que quem nunca tenha tido contacto com a filosofia e tradição do yoga consiga entender com clareza, é duplamente complexo.

    Por isso quando “A Cozinha Verde” me pediu um pequeno texto sobre a ligação entre o yoga e alimentação que escolhemos para nós, a minha primeira pergunta foi “define pequeno?!”

     

     

    Tirando o elefante da sala logo de início, nem todos os praticantes de Yoga são vegetarianos. Acredito que todos devemos caminhar no caminho mais positivo da nossa prática de Yoga e na interpretação que fazemos dela, e perder tempo a encontrar falhas ou desacreditar outras pessoas e as interpretações delas é algo a que não nos podemos – nem devemos – dar o luxo.

    Dito isto, acredito também que um praticante consciente adopta o vegetarianismo como consequência do processo de compreensão da realidade da vida e do papel que a sua presença exerce no mundo. Assim o praticante consciente, aprende que a realização espiritual e a verdadeira felicidade somente são possíveis se os nossos pensamentos, sentimentos e ações estiverem em harmonia.

     

    As posturas e técnicas básicas de uma prática de Yoga não são fáceis de aprender. Do mesmo modo que repensar e reeducar a nossa alimentação também não o é. A partir do momento em que enveredamos por qualquer um dos caminhos – ou de ambos – rapidamente nos apercebemos que existe um rigor anexo a essa educação, e que não existe mesmo forma de contornar esse rigor. Teremos de nos sacrificar e arriscar ir além dos nossos limites pré-concebidos, e nisso existe sempre um elemento de incerteza e de perigo. “será que vou cair na postura?” ou “será que estou a consumir todos os nutrientes que preciso?”.  Numa época de pessoas privilegiadas e resultados rápidos isto não são boas notícias: não há um atalho ou uma estrada sem buracos. É preciso discernimento, disciplina, compreensão e compaixão.

     

    Contextualizando:

     

    Todos estamos familiarizados com a palavra “karma”.

    A grande maioria de nós entende-a como as simples consequências das nossas ações. No entanto, simplesmente por existirmos neste mundo, também partilhamos karma com as nossas famílias, comunidades e com o nosso planeta e todos os seus habitantes.

    Na filosofia do Yoga, o mundo em que existimos é um onde devemos pagar a nossa dívida kármica. Isto é visto como sofrimento. O verdadeiro significado do Yoga é muito mais que o comum estereótipo de “iluminação”; é o fim de todo o sofrimento e “ignorância” (Avidya, a ignorância sobre o conhecimento que leva ao sofrimento) e não apenas o nosso.

    Pagar a nossa dívida Kármica seria bastante mais fácil se não estivéssemos continuamente a acumular karma. Tal como Krishna disse a Arjuna no Bhagavad Gita  “Aqueles cujo apego é o de recompensas pessoais, colhem as consequências das suas ações: algumas agradáveis, outras desagradáveis, algumas um pouco de ambos os sentimentos. Aqueles que renunciam ao desejo de recompensas pessoais, irão além do alcance do karma”.

    Colocado de forma simples, fazemos o que temos de fazer porque tem de ser feito, e fazêmo-lo sem qualquer expectativa.

     

    E do karma passamos ao dharma.

    Dharma significa “aquilo que mantém unido”.

    No plano humano, dharma pode ser considerado como “fazer a coisa certa”.

    Esta compreensão sobre o karma e dharma é essencial para podermos integrar na nossa vida os Yamas e os Niyamas. E perguntam vocês o que são os Yamas e Niyamas? Ora, Yamas e Niyamas são como um código de conduta para o praticante de Yoga sobre como fazer melhores escolhas. Todos queremos fazer boas escolhas certo? Mas ao invés de ser um código assente na repressão e controle, estes aspectos da prática baseiam-se na coerência, motivação e coordenação dos nossos esforços para podermos fazer melhores escolhas a cada momento.

     

     

    De entre os Yamas e Nyamas, encontramos Ahimsa. Mais conhecido como “não-violência”. Existem duas dimensões diferentes na prática da não-violência, que estão intrinsecamente ligadas: uma pessoal e uma social. A primeira tem a ver com a forma como nos relacionamos connosco e com a nossa prática pessoal de Yoga. A segunda tem a ver com a maneira em que vivemos a vida em sociedade, com nossa família, nossos amigos, vizinhos ou colegas de trabalho.

     

     

    Geralmente, a questão da opressão animal é abordada apenas em termos de compaixão e preconceito: os animais são explorados e destruídos, simplesmente porque os vemos como sub humanos e estamos dispostos a abusar deles para satisfazer a nossa ganância e paladar. Mas talvez o problema vá um pouco mais fundo do que mera crueldade e avareza. No nosso contexto social atual, não são apenas os animais que são explorados – é tudo e são todos, de terras de cultivo a florestas, a agricultores e empregados de loja. A opressão dos animais é mais evidente pois envolve o assassinato de seres vivos, mas não são apenas eles os escravizados pela nossa sociedade, é tudo, nós mesmos incluídos. Sem uma compreensão de como e porquê o nosso sistema económico e social nos leva a constantemente dominar, explorar e oprimir tudo, não seremos capazes de acabar a violência contra os animais e ambiente, ou pelo menos de uma forma significante e a longo prazo. Diariamente, somos encorajados a questionar como podem os animais, as pessoas e o ambiente, ser usados como recurso na competição diária da nossa vida. Esta é uma das razões pela qual considero que Ahimsa para com os animais é indivisível da mesma não-violência que precisamos de praticar com nós mesmos.

    Tudo vale no jogo da exploração, e se não exploramos algo com o intuito de ficar na mó de cima – de acordo com as exigências que nos são impostas sob o disfarce de livre arbítrio – alguém o irá fazer por nós, e muito provavelmente utilizá-lo para nos explorar de volta. Este é um pensamento tão cruel e violento que aqueles que se apercebem disto, não têm qualquer receio em maltratar humanos e animais, porque acreditam que a alternativa é serem eles mesmos alvo dessa violência.

     

    O praticante de yoga que abraça ahimsa e adopta o vegetarianismo/veganismo reconhece o valor dos animais não humanos, um valor que não pode ser calculado por economistas, apenas medido pela compaixão humana. Apenas uma perspectiva e estilo de vida com base na verdadeira compaixão consegue destruir os arquétipos opressivos e violentos da nossa sociedade presente e auspiciar em desenvolver novas realidades, novos relacionamentos, com a forma como tratamos os animais que partilham o Mundo connosco. É surrealista pensar que uma sociedade que oprime animais não humanos seja alguma vez capaz de se tornar uma sociedade que não oprima humanos.

     

    A libertação animal e o fim da violência para com todos os seres (isto inclui a violência que praticamos para com nós próprios) é uma colectânea de processos internos. Talvez possamos aprender acerca de nós mesmos na forma como tratamos os animais. Devemos começar por reavaliar como a vida deve ser para humanos e animais de igual modo, e de como tornar ambas as existências significantes e preenchidas.

     

     

     

    O yogi vegan não é sinal de iluminação. Tal como não existe um teste que possa ser aplicado ao ser humano para determinar o seu grau de espiritualidade, tão pouco podemos considerar que a dieta signifique alguma coisa em termos de progresso pessoal e espiritual. Se trocarmos os nossos condicionamentos por outros, como a tendência de julgarmos os demais ou de nos considerarmos superiores, então poderemos não estar a praticar com a atitude correcta, de mente equânime e coração aberto. Quando caminhamos por um caminho de evolução pessoal e social, é importante que não nos deixemos cair na teia pegajosa da arrogância. Os resultados poderão não ser tão imediatos mas serão mais duradouros com toda a certeza.

    Tirem-nos o Amor, e o nosso mundo é um túmulo.

     

    LOKAH SAMASTAH SUKHINO BHAVANTHU

     

    “Que todos os seres sejam felizes e que meus pensamentos, palavras e atos contribuam para a felicidade de todos os seres”

     

     

    *Palavras como Yama, Nyama, Ahimsa, Bhagavad Gita, sofrimento e ignorância,  etc podem causar confusão a quem nunca as leu. Por favor sintam-se na liberdade de me escreverem para qualquer dúvida! 

     

    O meu nome é Nuno, sou aluno, estudante e professor de Yoga.

    Podem encontrar-me aqui www.facebook.com/sacredyogajourney e falar comigo por aqui: indefenseofreality@gmail.com

     

     

     

     

     

     
  • World Vegan Day + Trufas de Alfarroba

     

    1 de Novembro. Hoje comemora-se o dia internacional do veganismo. Felizmente, esta palavra é cada vez menos estranha nos dias que correm, mas ainda assim muitos desconhecem as verdadeiras motivações de alguém que decide ser vegan, ou não sabem bem como passar à prática.

    Por esse motivo, hoje, para além de vos trazer mais uma receita livre de ingredientes de origem animal, para vos mostrar como é boa (e saudável) esta alimentação, deixo-vos também alguns artigos que tenho vindo a escrever sobre o tema do veganismo, para ajudar quem está a começar, ou quem não conhece bem mas tem algum interesse (ou curiosidade) neste estilo de vida.

    – Artigo “O que é um vegan?” para Sapo Saúde
    – Entrevista para o blog Not Guilty Pleasure

    in Revista Prevenir Novembro 2014

     

     

    Trufas de Alfarroba 

    (A alfarroba funciona muito bem nesta receita por ser doce, e ter um sabor semelhante ao chocolate, mas pode ser substituída por cacau cru, em menor quantidade e ajustando a quantidade de geleia de arroz.)

    sem açúcar
    rende aproximadamente 20 trufas
    tempo de preparação: 20 minutos

    Ingredientes
    1 cup (chávena) de avelãs, demolhadas na noite anterior
    12 tâmaras, demolhadas na noite anterior
    2 colheres de sopa de óleo de coco
    2 colheres de sopa de geleia de arroz
    6 colheres de sopa de alfarroba em pó
    Alfarroba em pó q.b. (topping)

    Preparação:

    Colocar as avelãs previamente demolhadas num processador de alimentos e picar até obter uma farinha grossa. Juntar as tâmaras e continuar a picar.

    Adicionar o óleo de coco, a alfarroba em pó e misturar bem no processador até formar uma pasta. Moldar pequenas bolinhas com as mãos e passar na alfarroba em pó.

    Levar ao frigorífico antes de servir, entre 30 a 60 minutos.

    Nota: As trufas podem ser congeladas.

  • Vai atrás daquilo que te faz feliz

    Por vezes é difícil aceitar que o caminho que escolhemos não era o melhor para nós. A verdade é que me fui apercebendo ao longo dos 5 anos em que trabalhei em auditoria, que aquilo não me preenchia, não me realizava nem acrescentava algo mais à minha vida.

    Sempre tive muitos sonhos, sonhos esses que estiveram hipotecados durante tanto tempo, pura e simplesmente por uma questão de comodismo e estabilidade. Porque tinha um salário certo ao final do mês, e principalmente porque era mais fácil não arriscar.

    Mas o meu desejo sempre foi trabalhar por conta própria, criar algo meu, algo que tivesse realmente significado para mim, e que de alguma forma contribuísse para melhor a vida dos outros. Nunca senti isso na área financeira.

    O veganismo foi para mim o impulso para ir atrás dos meus sonhos. Comecei a desejar partilhar aquilo que estava a viver com outras pessoas e a inspirá-las de alguma forma. Daí até criar A Cozinha Verde foi um passo. Encontrei o meu propósito de vida e lutei por ele. Tão simples quanto isto.

    A minha rotina mudou drasticamente. Aprendi a trabalhar sozinha. Pelo facto de trabalhar muito a partir de casa, aprendi a organizar-me e a gerir da melhor forma o meu tempo.
    Aprendi a não ter horários certos e a ter auto-disciplina. Aprendi a controlar a ansiedade e a aceitar a imprevisibilidade do meu trabalho.

    Nada disto seria possível se não gostasse verdadeiramente do que faço. Se não vibrasse a todo o momento com isto. Se não sorrisse todos os dias pelas palavras bonitas e sentidas que ouço das pessoas que vou conhecendo nos workshops, que me fazem encomendas ou que me enviam mensagens e e-mails a pedir-me ajuda. 

    Sinto que estou a fazer a diferença na vida de alguém. E por isso, tudo isto vale a pena.

  • A “dieta” que mudou a minha vida

     

    Há um ano e meio atrás, tomei uma decisão que mudou o rumoda minha vida. Uma decisão que me transformou por fora e por dentro. Que metornou mais humana. Mais apaixonada. Mais saudável. Mais feliz. Uma decisão queme fez descobrir o meu propósito de vida. Que me fez descobrir a mim mesma. Háum ano e meio atrás, tomei a decisão de ser vegan.

     

    Para mim, ser vegané ter compaixão por todos os seres sencientes que vivem neste mundo. Édescobrir que, apesar das nossas diferenças, existe uma coisa que nos une atodos: o direito à vida. E foi por este motivo que passei a fazer umaalimentação estritamente vegetariana e que eliminei do meu estilo de vida tudoaquilo que de alguma forma causasse sofrimento animal. Continuo a perguntar amim mesma porquê aquele dia, porque não mais cedo, ou mais tarde. 

     

    Estouconvencida de que todos nós temos um momento para despertar. E aquele foi o meumomento.  O momento em que questioneitudo aquilo que me tinha sido ensinado desde que nasci. O momento em quedescobri, por mim mesma, que nada daquilo fazia sentido para mim. Que nãoqueria, nem podia, continuar a fechar os olhos a toda a crueldade que existia àminha volta, e da qual eu fazia parte.

     

    Rapidamente descobri os benefícios que a alimentação vegan poderia trazer à minha saúde. Háum ano e meio que não tomo medicamentos nem fico doente. Sinto-me rejuvenescidae cheia de energia. Perdi os 10 quilos que tinha a mais. A minha pele estáconstantemente hidratada, o meu cabelo mais forte. E o meu corpo está nutrido,sem carências de qualquer tipo. Comecei a estudar bastante sobre nutrição, edescobri assim a minha paixão: a cozinha. Descobri uma alimentação saudável, criativa, deliciosae bonita. Que faz bem ao meu corpo e à minha mente. Que me deixa feliz e daqual consigo retirar o máximo prazer, sem causar sofrimento.

     

    Para explicar sucintamente a alimentação que faço, aproximadamente80% da minha ingestão calórica diária é feita através de frutas, legumes,leguminosas, cereais integrais e oleaginosas. Alimentos puros e frescos, no seuestado natural e preferencialmente biológicos. Na restante percentagem incluoalguns alimentos processados, como os leites, queijos e iogurtes vegetais,açúcares não refinados (aqui a geleia de agave ou de arroz são as minhasalternativas preferidas), farinhas e pão integral, azeite e óleos não refinados(prensados a frio), molho de soja, tofu e seitan, entre outros exemplos. Aideia é comer os alimentos o mais próximo possível do seu estado natural, semquímicos, corantes ou adoçantes, e sempre de origem vegetal.

    Com esta alimentação, consigo todos os nutrientes que o meu corpoprecisa para funcionar corretamente e ser saudável. O truque é fazer umaalimentação o mais variada possível, sem cair no erro de consumir sempre osmesmos alimentos.  Para além disso, bebobastante água e chás. Eliminei os refrigerantes e bebidas com álcool só emocasiões especiais.

     

    O meu objetivo com este post não é fazer com que tomem a decisão que eu tomei, porque como disse atrás, acredito que todos nós temos o nosso momento de despertar, e esse momento é só nosso, e tem de partir de nós. O meu objetivo é somente incentivá-los a descobrir esta alimentação, a experimentá-la e a sentir na pele todos os benefícios que ela nos pode trazer.

    Porque, como costumo dizer: “nós somos o que comemos”.
  • Bolo de Baunilha / 1º Aniversário

    O primeiro aniversário

    Maio é para mim um mês muito especial… É o mês do coração, e o mês em que nasci. Talvez não tenha sido por acaso que criei A Cozinha Verde nesta altura do ano…

    Gosto de celebrar os meus aniversários. Sempre gostei. Gosto da sensação com que acordo no dia, a sensação de ser o MEU dia. Gosto de estar com todas as pessoas que me são queridas e que fazem parte da minha vida. Por incrível que pareça, gosto da sensação de sentir o tempo passar… Gosto de parar para pensar na vida, em tudo o que fiz e principalmente em tudo o que ainda me falta fazer. Gosto de me sentir grata por tudo o que tenho à minha volta. E gosto de ser mimada, com pequenas surpresas que enchem o meu coração.

    Sou uma pessoa muito emotiva. Vivo com prazer e intensidade, aproveitando ao máximo cada momento, cada dia. Fazer anos leva até mim todas essas emoções de uma forma ainda mais especial.

    Fiz 27 anos no passado dia 7, e escolhi também este dia para comemorar o primeiro aniversário da A Cozinha Verde. Essa quarta-feira não podia ter sido melhor. Foi passada ao lado daqueles que amo, e que fazem parte da minha vida. A minha família.

    Quero agradecer a todos vocês, que me fizerem (e continuam a fazer) acreditar que é possível realizarmos os nossos sonhos, e fazer aquilo que nos faz sentir verdadeiramente felizes. Quero agradecer todo o apoio, mensagens e carinho com que nutrem o meu coração todos os dias. Porque a nutrição não passa só pela alimentação. E eu estou verdadeiramente grata por todo o carinho e força que me dão. Cada um à sua maneira, e cada um de forma única e especial, todos vocês têm um cantinho especial guardado no meu coração.

    Este ano, para comemorar os dois aniversários, fiz um bolo de baunilha especial. Especial, porque foi feito a pensar em vocês. Porque é isso que torna aquilo que fazemos especial. A forma como o fazemos, a energia e o sentimento que colocamos naquilo que fazemos. E é por isso que A Cozinha Verde é tão especial. Não por ser verde, ou 100% vegetal, ou vegan, ou biológica, ou saudável, ou saborosa. Mas sim porque é a minha forma de exprimir tudo aquilo que sinto e tudo aquilo em que acredito. Porque é a maneira que arranjei de levar-vos um pouco de mim. De levar-vos toda a minha energia e dedicação. E porque é a forma que arranjei para vos demonstrar que é possível vivermos uma vida plena e saudável, com compaixão por todos os seres vivos. Pode parecer ambicioso, mas A Cozinha Verde é o meu contributo para um mundo melhor. E é por isso que amo tanto aquilo que faço todos os dias. Porque sinto que pode fazer a diferença. Na minha vida. Na vossa vida. Nas nossas vidas.

    Que este seja o primeiro de muitos anos!

    Obrigada.

    Bolo de Aniversário de Baunilha

    Ingredientes
    -Para o bolo
    360 ml de Leite de Amêndoas
    2 colheres de chá de Vinagre de Cidra
    200 gr de Açúcar de Côco da OX Nature
    110 ml de Óleo de Girassol prensado a frio
    1 colher de sopa de sementes de vagem de baunilha (pode usar também essência de baunilha)
    250 gr de Farinha Integral
    3 colheres de sopa de Amido de Milho
    3/4 de colher de chá de Bicabornato de Sódio
    1 colher de chá de Fermento
    3/4 de colher de chá de Sal Marinho biológico

    -Para o recheio e cobertura
    170 gr de Creme Vegetal
    220 gr de Açúcar em Pó
    1/2 colher de sopa de sementes de vagem de baunilha (pode usar também essência de baunilha)
    Uma pitada de Sal Marinho biológico
    30 ml de Leite de Amêndoas

    Preparação:

    Para o bolo
    1. Aquecer o forno a 180º.
    2. Numa tigela grande, bater com uma vara de arames o leite de amêndoas e o vinagre de cidra. Deixar repousar 5 minutos.
    3. Juntar o açúcar de côco, o óleo de girassol e a baunilha, e mexer bem com a vara de arames, até a mistura começar a ficar com espuma.
    4. Numa tigela à parte, misturar a farinha integral, o amido de milho, o bicabornato de sódio, o fermento e o sal, e juntar à mistura líquida (com uma peneira).
    5. Incorporar tudo muito bem com a vara de arames.
    6. Dividir a massa em duas formas de 20 cm cada, e levar ao forno entre 20 a 30 minutos, ou até um palito sair limpo.
    7. Deixar arrefecer os bolos cerca de 15 minutos antes de desenformar.
    8. Desenformar ambos os bolos e deixar arrefecer na totalidade numa rede para bolos.

    Para o recheio e cobertura
    1. Com uma batedeira elétrica, bater o creme vegetal em velocidade alta, entre 2 a 3 minutos, até este se apresentar cremoso.
    2. Juntar o açúcar em pó e bater, em velocidade baixa, para combinar os dois ingredientes.
    3. Aumentar a velocidade para média/alta e bater por mais 2 minutos.
    4. Juntar a baunilha e uma pitada de sal marinho e bater.
    5. Por último, juntar o leite de amêndoas (uma colher de sopa de cada vez), até a cobertura apresentar uma consistência possível de espalhar.

    Para montar o bolo
    1. Colocar uma das camadas do bolo numa base para bolos.
    2. Deitar por cima do bolo uma parte da cobertura e espalhar, com a ajuda de uma espátula.
    3. Colocar por cima a segunda camada do bolo.
    4. Colocar mais cobertura por cima, e, com a ajuda de uma espátula, espalhar bem, até cobrir a totalidade do bolo.
    5. Levar o bolo ao frigorífico 30 minutos.

  • Paella Marroquina com Grão e Legumes

    Viagem a Marrocos :: Memórias

    Há viagens que nos marcam de uma forma especial. Foi o caso de Marrocos. Em Junho de 2011, partimos de mochila às costas, na ânsia de descobrir um país tão diferente do nosso.

    Foi uma semana intensa, a absorver costumes tão diferentes, mas tão especiais. As cores, os aromas, os sons, as pessoas. As ruas de Marrakech coloridas e aromatizadas com um número infindável de especiarias e chás. Esses chás quentes que saciavam e hidratavam quando o calor já era insuportável, e que sabiam tão bem, pela forma especial como eram preparados, como se de um ritual se tratasse.

    A humildade e hospitalidade daquele povo, que nos convidava a entrar em suas casas, como se fossemos família. Os riads onde ficamos hospedados, casas típicas marroquinas com um pátio interior central, normalmente ajardinado, decorados com cores quentes e vivas, mas serenas.

    Os terraços, onde começávamos o dia e terminávamos a noite, acompanhados pelo chá de menta com hortelã e pela vista extraordinária da cidade. As medinas, “a cidade antiga”, verdadeiros labirintos de ruas estreitas no centro da cidade, protegidas por uma fortificação, onde nos perdemos tantas vezes no meio de toda aquela correria e agitação. Os suq, mercados tradicionais dentro das medinas, onde ficámos horas a conversar e a regatear (para eles, regatear é uma forma de convívio e de comunhão, e ficam ofendidos se não o fizermos).

     

     

     

     

     

     

     

    A cidade costeira de Essaouira, que me fez lembrar tanto a Ericeira, o único sítio em toda a viagem onde tive de me proteger com um casaco à noite. As terras áridas já próximas do deserto, como Ouarzazate e Ait-Benhaddou, o “coração da terra”, com um miradouro impressionante com vista para o panorama lunar do Anti-Atlas.

    Os oásis perdidos no meio do nada. As montanhas imponentes. E o pôr do sol no deserto do Saara, onde o silêncio imperava.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Hoje, sempre que abro a minha despensa e olho para as especiarias que ocupam uma prateleira inteira, sou de novo transportada para esta viagem e para todos aqueles momentos que vivi, e que ficarão eternamente gravados na minha memória e no meu coração.

    A receita de hoje, como tantas outras que vou fazendo, lembra-me Marrocos. E espero com ela conseguir levar-vos também, através do paladar, um bocadinho deste país, tão próximo, e ao mesmo tempo tão longe de nós.

    E agora vamos à receita:

     

    Paella Marroquina com Grão e Legumes
    Sem glúten
    (Serve 2 a 4 pessoas)
    Tempo de preparação: 60 minutos

     

    Ingredientes
    1/2 chávena de Arroz + 1 chávena de Água
    150 gramas de Grão de Bico cozido
    1 mão cheia de Ervilhas
    1 mão cheia de Ervilhas de quebrar
    1/3 Pimento Vermelho, às tiras
    1/3 Pimento Verde, às tiras
    1/4 Malagueta Vermelha, picada
    1 Beterraba, às rodelas
    1 Alho Francês pequeno, às rodelas
    1 Cebola, às rodelas
    Azeite Extra Virgem
    3 colheres de café de Caril
    1 colher de café de Açafrão
    1 colher de café de Cominhos
    1/2 colher de café de Noz Moscada
    1 pitada de Sal Marinho
    Pimenta Preta moída na hora, a gosto

    Preparação:

    Numa paella (ou paellera), aquecer um fio de azeite extra virgem. Juntar a cebola e refogar ligeiramente.

    Adicionar os pimentos, o alho francês e a malagueta e refogar mais um pouco, para libertar todos os aromas.

    Juntar a beterraba e cerca de 1/4 copo de água, e cozinhar uns minutos em lume brando, até a beterraba ficar macia.

    Juntar o grão de bico e as ervilhas e temperar com as especiarias, sal e pimenta preta. Mexer bem e deixar ao lume uns minutos.

    Adicionar uma chávena de água e 1/2 chávena de arroz e cozer em lume brando, mexendo sempre que necessário para não queimar. Quando o arroz estiver quase cozido, acrescentar as ervilhas de quebrar.

  • Migas de Grelos e Feijão Frade

     

    Grelos no Mercado Biológico do Príncipe Real

     

    Mercado Biológico do Príncipe Real

     

    Um dos meus planos preferidos para as manhãs de sábado é a ida ao mercado biológico do Príncipe Real. Chegar cedo (o mercado abre às 8h) e aproveitar para dar um passeio a pé pela Baixa, Bairro Alto e Príncipe Real (para mim, uma das zonas mais bonitas da cidade) antes de ir ao mercado. 

     

    É uma das coisas que mais gosto em Lisboa. As manhãs na cidade. Principalmente quando a Primavera se aproxima, e os dias convidam a passeios mais longos, cheios de luz. É uma rotina que não dispenso. E a melhor forma de começar o fim-de-semana.

     

    O mercado biológico do Príncipe Real realiza-se todos os sábados, das 8h às 14h, na orla poente do Jardim do Príncipe Real. 

     

    Banca no Mercado Biológico do Príncipe Real

     

    O mercado não é grande (deve ter entre 7 a 8 bancas), mas é um dos mais bonitos de Lisboa.

    Os produtos são sempre muito frescos, e prima pela variedade. Aqui apetece levar tudo. Os cheiros, as cores, o aspeto bonito e fresco dos vegetais e das frutas. A simpatia dos vendedores, que nos ensinam com orgulho como cozinhar os produtos. 

     

    Foi aliás aqui que aprendi a fazer um dos melhores patês de sempre, com Tomatillos.

    Para quem não conhece, o Tomatillo (Physalis philadelphica ou Physalis ixocarpa), que também pode ser chamado de tomate mexicano ou tomate de casca, é uma planta que pode ultrapassar 1 metro de altura. Os seus frutos assemelham-se a pequenos tomates e são envolvidos por uma casca de textura semelhante a papel. São muito usados na cozinha mexicana, em molhos e em conservas. Os frutos maduros são geralmente verdes, mas também há plantas com frutos de cor amarela, vermelha e roxa.

     

    São semelhantes à Physalis, mas mais amargos, e por isso mais usados para receitas salgadas.

     

    Tomatillos do Mercado Biológico do Príncipe Real

     

    Este sábado não consegui chegar cedo, tive de riscar do plano o passeio, e fui diretamente ao mercado. 

    Como sempre, enchi os meus sacos ecológicos com uma grande variedade de frutas e legumes frescos. Como os grelos da receita de hoje. Estavam tão bonitos que se pudesse tinha trazido todos os que lá havia para casa.

     

    Eu adoro grelos. Para ser sincera, adoro todos os crucíferos (vegetais com folha) no geral. Mas os grelos têm um lugar especial no meu coração. Sou completamente fascinada (e viciada) por estes molhos de grelos, seja qual for a sua variedade. 

     

    Chegada a casa, já em cima da hora do almoço, eis que chega a outra parte que mais gosto. Cozinhar os legumes super frescos que acabei de comprar. Claro está que peguei logo num molho de grelos, sem pensar duas vezes. Fiz estas Migas de Grelos e Feijão Frade (que já tinha cozido noutro dia e que estava pronto a usar) e acompanhei com uma boa salada de Alface, Rúcula, Cebolinhas (tão saborosas e macias!), Tomate e Pepino.

     

     

     

    Migas de Grelos e Feijão Frade

    (Serve 2 a 4 pessoas)

    Tempo de preparação: 30 minutos

     

    Ingredientes

    1 molho de Grelos biológicos

    300 gramas de Feijão Frade, previamente cozido

    3 fatias de Pão rústico, cortadas em pedaços pequenos

    4 dentes de Alho grandes, em fatias finas

    Azeite Extra Virgem biológico

    Pimenta Preta, moída na hora

    Uma pitada de Sal Marinho grosso

     

     

    Preparação:

     

    Coza o feijão frade, escorra-o e reserve.

     

    Lave o molho de grelos e leve-os a cozerem água abundante com uma pitada de sal marinho grosso. 

    Depois de cozidos,escorra bem a água e reserve.

     

     

    Num tacho, aqueça um fio de azeite e junteo alho. Deixe refogar ligeiramente com o lume baixo.

     

    Adicione os pedaços de pão e o feijãofrade e, com o lume baixo, salteie mais um pouco.

     

    Por fim, junte os grelos cozidos, reguecom mais um fio de azeite e mexa, envolvendo tudo muito bem.

     

    Tempere a gosto com pimenta preta moída nahora.

     

     

    Está pronto!

     

     

    Nota:

    Servi este prato acompanhado com uma salada de alface, rúcula, tomate, pepino e cebolinha, temperada com uma pitada de sal marinho grosso, limão e um pequeno fio de azeite.

     

  • Sumos VS Smoothies

     

    O meu mês de detox já está a chegar ao fim, e faço agora um balanço final sobre a experiência.

    Primeiro vamos à balança. O meu objetivo com este plano detox de quatro semanas não era emagrecer, mas sim eliminar toxinas. No fundo, queria fazer um restart ao meu organismo. Já tinha o meu peso ideal, pelo que tentei ao longo do mês manter o peso, sabendo no entanto que seria provável que perdesse um ou dois quilos. E foi o que aconteceu.

    Optei também por um detox simples, sem grandes privações. Ou seja, não me alimentei única e exclusivamente à base de líquidos, como expliquei aqui. No entanto, os sumos e smoothies são imprescindíveis no processo de desintoxicação do organismo, e é sobre eles que vou falar neste post. E o melhor, é que os podemos fazer com tudo o que tivermos “à mão”, evitando desta forma os desperdícios.

    E agora, qual a diferença entre um SUMO e um SMOOTHIE? Tudo se resume à forma como o preparamos…

    Sumo vs Smoothie

    Temos um sumo quando a polpa é extraída do fruto ou vegetal. Neste caso, a fibra não é aproveitada. Isto acontece quando usamos uma centrifugadora (imagem em baixo), cujo depósito vai reter os “restos” dos alimentos utilizados: a fibra.
    Usar uma centrifugadora é muito prático. Basta pegarmos no que nos apetecer, colocar dentro da máquina, e…temos sumo! E o melhor é que não é necessário descascarmos os frutos/vegetais de casca menos rija, como maçãs, pêras, pepinos, tomates, entre outros. Esta máquina é ótima também para aqueles frutos/vegetais mais difíceis de triturar e converter num sumo decente. Experimentem colocar beterrabas ou cenouras, por exemplo, e maravilhem-se com a delicadeza do sumo que é feito em 2 segundos, sem necessidade de adicionar água ou outro líquido. Por este motivo, fazer sumos é fantástico, pois podemos facilmente obter todas as vitaminas e minerais dos alimentos, sem qualquer esforço e de forma rápida. Adicionalmente, o nosso corpo absorve os nutrientes com a máxima eficiência. Como o corpo não precisa de digerir a fibra, os nutrientes são assimilados numa questão de minutos.

    Centrifugadora

    Contrariamente ao sumo, temos um smoothie quando a totalidade do alimento é triturada numa bebida espessa (com mais consistência do que o sumo), usando toda a fruta/vegetal, à exceção da casca e sementes no caso de alguns alimentos. Os smoothies são ótimos na medida que a fibra obtida nos sacia e põe os nossos intestinos a funcionar.

    Para os fazer, usamos uma liquidificadora (imagem em baixo). Na grande maioria dos casos, para fazer um smoothie, temos de adicionar algum líquido à liquidificadora, para garantir que os alimentos são bem triturados. Água mineral ou água de côco, sumo de algum fruto (que podemos preparar antecipadamente na centrifugadora) ou leite vegetal são algumas das opções possíveis.

    Podemos fazer smoothies puros de fruta, adicionar legumes para uma combinação mais rica ou fazer um batido cremoso, adicionando leite de amêndoas ou de côco, como exemplo.

    Liquidificadora

    O nosso corpo precisa das vitaminas, minerais e enzimas que os alimentos crus contém.
    Se não obtivermos o suficiente na nossa dieta, a nossa reserva torna-se fraca, deixando-nos mais suscetíveis a doenças. É por isso de extrema importância incluir diariamente alimentos crus na nossa dieta. E é aqui que os sumos e smoothies entram, por serem uma forma rápida, prática e saborosa de incluir frutas e vegetais crus na nossa alimentação. Esta é também uma excelente opção para quem não gosta ou não consome com frequência vegetais. Não gosta de brócolos? Junte-os a um sumo ou smoothie com os seus frutos preferidos e algumas ervas aromáticas, e vai ver que nem dá pela sua presença!

    Uma nota importante… Podem usar a centrifugadora para fazer sumo de qualquer alimento exceto bananas, mangas, abacate e papaia. Frutos com muito amido devem ser usados na liquidificadora e não na centrifugadora. Para confirmarem, leiam as instruções da vossa máquina, que refere de certeza estas exceções.

    Para finalizar, existem também vários superalimentos que pode adicionar aos seus sumos e smoothies para aumentar a ingestão de nutrientes, como a spirulina, clorela, açaí, bagas goji, bagas inca, sementes de chia, sementes de cânhamo, entre outros. Pode encontrar estes superalimentos na Iswari SuperFoods Portugal, ou em lojas especializadas como o Celeiro.

    Hoje trago-vos um sumo para experimentarem em casa, que fiz durante este mês de detox.
    Para a próxima trago-vos um smoothie, para verem a diferença entre ambos.

    Spicy and Aromatic Red Detox Juice

    Serve 2 pessoas)
    Tempo de preparação: 5 minutos

    Ingredientes 
    3 Beterrabas
    1 Limão
    4 Cenouras
    1 Maçã
    1 Pêra
    1 mão cheia de Morangos
    1 pedaço de Gengibre fresco
    2 talos de Aipo (com folhas)
    6 folhas grandes de Alface
    Salsa e Coentros, a gosto
    Sementes de Chia, a gosto

    Preparação:

    Descascar as beterrabas, o limão, as cenouras e o pedaço de gengibre.

    Triturar todos os ingredientes numa centrifugadora (não é necessário cortar, coloque na máquina os ingredientes inteiros).

    No fim, mexer e polvilhar com sementes de chia. Servir de imediato.