Category: cereais integrais

  • Arroz sem marisco

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    Esta semana a receita que vos trago é inspirada num prato tradicional da cozinha portuguesa. Ao fim de algum tempo a fazer uma alimentação vegetariana, comecei a sentir vontade de reiventar algumas receitas que faziam parte do meu dia-a-dia e que estavam ainda presentes na minha memória. Confesso que esta vontade demorou algum tempo a surgir. Nos primeiros tempos de descoberta da minha nova alimentação, com tantas novidades para descobrir, o meu foco e vontades culinárias estavam mais centrados num estilo de cozinha alternativo. Com tantos ingredientes diferentes e receitas novas para experimentar, esqueci rapidamente a “comida de conforto” a que os meus pais me tinham habituado, substituindo-a facilmente por novas alternativas. Comecei devagarinho a criar novas memórias, a descobrir novos gostos e, naturalmente, os pratos que até então me acompanhavam foram sendo substituídos por outros.

    No entanto, e porque o simples ato de comer é muito mais do que nutrir o nosso corpo, ao fim de alguns anos comecei a sentir saudades de alguns pratos que me acompanharam e marcaram durante a infância e adolescência. A minha mãe, exímia cozinheira, sempre teve um interesse (e jeito) particular pelos pratos típicos da nossa gastronomia e este tipo de receitas eram uma constante lá por casa. Desde pratos principais a sobremesas, a alimentação da minha família sempre foi muito “tradicional”. Com tantas memórias gravadas à volta da mesa, era natural que, mais cedo ou mais tarde, começasse a sentir saudades. Curiosamente, e durante todos estes anos que já passaram desde que adotei esta alimentação, nunca senti saudades do sabor da carne, do peixe, dos ovos. Para ser sincera, acho que neste momento esses sabores e texturas foram já apagados da minha memória. Atualmente, o cheiro destes alimentos não me agrada de todo e já não me são familiares. 

    Contudo, na grande maioria dos pratos típicos portugueses, não é o sabor dos alimentos de origem animal que predomina. Os condimentos utilizados, os vegetais, as ervas aromáticas, estes sim criam impacto na receita e as suas combinações ficam gravadas na nossa memória a longo-prazo. 

    Comecei então a reiventar algumas receitas, fugindo pouco ou nada à versão “original”, com as substituições necessárias para que a mesma fosse o mais aproximada em termos de sabor e nutricionalmente adequada.

    A vontade de fazer um Arroz de marisco sem marisco surgiu há uns tempos atrás, quando uma marca de produtos vegetarianos alternativos à carne me contactou com o objetivo de me dar a conhecer alguns dos seus produtos. Tal não foi o meu espanto quando vi que tinham um camarão 100% vegetal! Já sabia da existência desde produto mas nunca o tinha visto à venda em Portugal. Apesar deste ser um produto mais industrializado e menos interessante do ponto de vista nutricional, fiquei com curiosidade de experimentar. 

     

    Antes de passar à receita, deixo-vos algumas notas importantes:

     

    Um. O camarão vegetal foi o impulsionador desta receita, mas a sua utilização é perfeitamente opcional. O sabor característico deste prato não depende da sua utilização;

    Dois. O tofu, um alimento milenar muito versátil obtido a partir do feijão de soja, substitui a proteína animal nesta receita. É importante que escolham um tofu fresco, preferencialmente biológico ou cuja marca garanta que é livre de OGM (organismos genéticamente modificados). Aconselho a experimentarem as marcas Shambala ou Próvida (encontram ambas em supermercados biológicos);

    Três. O arroz branco (refinado) foi substituido pela sua versão integral, pois o valor nutricional dos cereais integrais é bastante superior. É importante que deixem o arroz a demolhar durante algumas horas (durante a noite, por exemplo) de forma a diminuir o seu tempo de cozedura e a eliminar os anti-nutrientes que impedem a absorção de todos os nutrientes pelo nosso organismo;

    Quatro. Por último, as algas utilizadas na preparação da receita têm como objetivo trazer o toque a mar salgado necessário, pelo que a não utilização deste ingrediente pode alterar o resultado final. 

     

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    Arroz sem marisco

    serve 4 pessoas

    tempo de preparação: 20 minutos

    tempo de confeção: 30 a 40 minutos

     

    Ingredientes

    250g de tofu fresco biológico

    Sumo de ½ limão, espremido na hora

    2 colheres de sopa de alga Nori em flocos (ou outra alga da sua preferência)

    Pimenta branca, q.b.

    1 cebola grande, picada

    2 dentes de alho, picados

    1 malagueta pequena, finamente picada

    1 fio de azeite extra virgem

    1 folha de louro

    Sal marinho integral, q.b.

    Paprika doce, q.b.

    ½ embalagem de camarão vegetal (opcional)

    2 tomates grandes, cortado em cubos

    ½ cup de molho de tomate caseiro (ou molho de tomate biológico, sem açúcar e conservantes)

    ½ cup de caldo de legumes caseiro

    ½ cup de vinho branco

    1 cup de arroz integral, previamente demolhado por 8h

    2 a 3 cups de água 

    1 mão cheia de coentros frescos

     

    Preparação

    Corte o tofu em cubos pequenos e coloque num recipiente com os flocos de algas e o sumo de limão. Tempere com pimenta branca e deixe repousar enquanto prepara os restantes ingredientes, de forma a que este absorva o sabor das algas.

    Num tacho médio, salteie a cebola, o alho e a malagueta (se usar*) num fio de azeite, até alourar. 

    Adicione o tofu em cubos, o camarão vegan (se usar) e o louro. Tempere com sal marinho, pimenta branca e paprika doce e deixar fritar durante uns minutos. 

    Adicione o tomate em pedaços e deixe cozinhar por 2 minutos, mexendo se necessário.

    Adicione agora o molho de tomate, o caldo de legumes e o vinho branco e deixe levantar fervura.

    Adicione o arroz integral (demolhado) e parte da água. Deixe cozer em lume médio-baixo e acrescente água sempre que for necesário, mexendo ocasionalmente. 

    Quando o arroz estiver cozido, prove e retifique os temperos (se necessário). Junte os coentros frescos e sirva.

     

    *Dica: se gostar do toque picante da malagueta e a decidir usar na receita, pode optar por retirar ou manter as suas sementes, dependendo da intensidade de picante que desejar. Em alternativa, e caso não tenha malagueta fresca, pode utilizar malagueta seca (em flocos, por exemplo) ou pimenta caiena. 

  • Como fazer papas de cereais para bebés?

     

     

    Como preparar papas de fruta e cereais para bebés 

     

    Como alguns de vocês já sabem, em Outubro do ano passado fui mamã do Lourenço. Passados 10 meses, chega agora um post a pedido de alguns seguidores, que têm dúvidas sobre como preparar as papas dos seus pequenos em casa.

     

    Neste post, partilho com vocês uma receita base, que podem depois adaptar consoante os gostos e as idades dos vossos filhos. 

     

    Em primeiro lugar, decidi escrever este post porque considero que as papas caseiras, quando bem feitas (ou seja, equilibradas a nível nutricional) são uma opção muito mais saudável e económica às papas de pacote. Felizmente, existem cada vez mais marcas de papas para bebés preocupadas em oferecer produtos de qualidade, biológicos e sem açúcares adicionados, bem como sem conservantes artificiais. Este é mesmo um ponto importante no que diz respeito à saúde e desenvolvimento das nossas crias.

    Nem sempre consigo ter disponibilidade para preparar as papas do Lourenço em casa, mas posso dizer que cerca de 80% das papas que ele comeu até agora foram feitas por mim. Para SOS, tenho sempre por casa algumas papas de compra biológicas e sem açúcares adicionados.

    O segundo motivo pelo qual vos quis escrever este post era precisamente para vos mostrar o quão fácil (e rápido!) é preparar as papinhas em casa! Para começar, só precisam de um cereal integral à vossa escolha e de uma fruta. Começando pelo cereal, este pode ser em flocos ou inteiro, sendo que a preparação em ambos os casos é muito idêntica,a diferença está essencialmente no tempo de confeção (com os flocos é muito mais rápido). Em relação à fruta, têm um sem fim de possibilidades! Podem utilizar qualquer fruta da época, de preferência madura para adoçar naturalmente a papa. Exemplos: pêra, maçã, banana, figos, ameixa, pêssego/nectarinas, mirtilos, melão, manga, abacate. No caso de usarem uma fruta mais rija e que necessite de cozedura prévia, adicionem logo a fruta no tacho juntamente com a água e o cereal, para cozer. Por outro lado, se a fruta já for suficientemente mole (como a banana e o abacate, por exemplo), basta que esmaguem e adicionem apenas no final da preparação. Podem optar por usar apenas uma fruta e um cereal na preparação da papa, ou um mix (por exemplo, duas frutas e dois cereais).

    Para além da fruta fresca, podem também adicionar outros ingredientes para aumentar o valor nutricional da papa e dar-lhe um sabor diferente (ninguém gosta de comer o mesmo todos os dias e os bebés não são exceção), como coco ralado, baunilha, canela, alfarroba ou frutos secos moídos (para bebés a partir dos 8/9 meses). Podem ainda adicionar frutas secas, como as tâmaras, figos e alperces, que funcionam como adoçantes naturais. Mas atenção ao uso destas frutas! Ao comprarem, confirmem que não têm açúcares adicionados. Queremos apenas o açúcar natural da fruta e nada mais.

    Acima de tudo, sejam criativos na hora de pensar nas refeições dos vossos filhotes, procurando variar ao máximo a composição das papas.

     

     

    Papa de pêra e cereais 

    + 6 meses

    tempo de preparação: 5 minutos

    tempo de confeção: 5 minutos

     

    Ingredientes biológicos

    2 a 3 colheres de sopa de flocos de trigo sarraceno integral*

    3 pêras pequenas, maduras

    1 pitada de baunilha em pó bourbon

    água q.b. (ou em alternativa, podem fazer com o vosso leite)

     

    Toppings:

    1 figo maduro

    coco ralado

    * varie com frequência o tipo de cereal das papas do seu filho

    Preparação

    Num tacho pequeno, coloque os flocos previamente lavados e as pêras cortadas em pequenos pedaços. Adicione 1/2 copo de água. Leve o tacho ao lume (médio/baixo), mexendo sempre. Adicione mais água (a gosto) à medida que a anterior for sendo absorvida, até que a papa fique com uma consistência bem cremosa. Ao mesmo tempo, esmague os pedaços de pêra (que entretanto cozeram) com a ajuda de um garfo, para obter uma papa homogénea. 

     

    Deixe a papa arrefecer um pouco e transfira-a para uma tigela. Adicione coco ralado numa das metades da taça e um ou dois figos maduros, sem pele e em pedaços pequenos, na outra metade.